A incrível quebra da barra de direção logo no primeiro dia da 42ª edição do Rally Dakar, que segue em disputa na Arábia Saudita até a próxima sexta-feira (17/01), ainda pesa bastante no resultado da dupla brasileira Reinaldo Varela/Gustavo Gugelmin, campeões da prova em 2018 e terceiros colocados no ano passado, na categoria UTV. Depois de terminarem o primeiro dia na 36ª posição, a dupla da equipe Monster Energy/Can-Am agora ocupa o 11º lugar, mantendo uma ascensão constante no ranking da categoria.

“Perdemos quase três horas para consertar o carro no primeiro dia e essa diferença é difícil de tirar diante do bom nível dos competidores, mesmo em uma prova longa”, ressalta Varela. “Mas estamos fazendo o nosso melhor dentro das condições que temos agora. E vamos tentar a melhor classificação possível mantendo o espírito do Dakar, que é de brigar até o final”, concluiu o piloto brasileiro.

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Neste domingo (12), sétimo dia de corrida, Varela e Gugelmin chegaram em sexto entre os UTVs, depois de terem sido terceiros colocados na sexta-feira passada – quando a dupla brasileira chegou a parar para socorrer um piloto de quadriciclo que havia capotado. O sábado foi dia de descanso no Dakar – não houve corrida e a caravana ficou estacionada nos arredores da capital saudita, Riyadh (Riad). Mas hoje as equipes voltaram à competição. “Até o momento o Dakar já completou 4.452 km do total de 7.856 km que teremos percorrido até a próxima sexta-feira – e é óbvio que todos já estão exaustos. Por isso a partir de agora os erros individuais tendem a ser mais constantes”, prevê o navegador Gustavo Gugelmin.

Socorro a acidentado – Mesmo fazendo uma prova de recuperação, os brasileiros pararam duas vezes para socorrer competidores em apuros. A primeira foi na sexta-feira, quando encontraram pela frente um quadriciclo capotado. “Paramos e ajudamos o piloto a recolocar o quadri sobre as quatro rodas”, conta Gustavo Gugelmin. Ele estava deitado, então precisamos dos três para desvirá-lo. A areia do local era muito fofa, então a gente escorregava e afundava o pé, mas no final conseguimos. Mas foi tudo muito rápido. A gente queria voltar pra corrida o quanto antes. Nem vimos o nome dele!”, diverte-se o navegador da equipe Monster Energy/Can-Am.

O segundo socorro foi prestado à dupla Casei Currie (EUA)/Sean Berriman (África do Sul), que teve um pneu furado e é a atual líder da corrida. “São nossos parceiros de equipe e paramos para fazer com que conseguissem sair dessa o mais rápido possível”, lembra Reinaldo Varela. “O resultado é importante mas mais importante é a segurança e o companheirismo. Nós mesmos já fomos ajudados em outras provas, então termos socorrido colegas não é algo raro no Dakar, é parte de um código de ética que boa parte dos competidores respeita. É muito bacana quando a gente tem chance de fazer algo assim”, destaca o piloto da equipe Monster Energy/Can-Am.

Vítima fatal – A especial (trecho cronometrado em alta velocidade) deste domingo teve 546 km. Foi a mais longa do Dakar 2020 – e também a que apresentou a maior variedade de desafios. O total do dia, incluindo deslocamento, foi de 741 km entre Riyadh (Riad) até Wadi Al-Dawasir. E foi marcada pela tragédia: o piloto português Paulo Gonçalves, de 40 anos, faleceu depois de sofrer um acidente de moto no deserto quando havia percorrido 276 da especial. “O Paulo era nosso amigo e o que aconteceu hoje deixou a todos que o conheciam muito abatidos”, diz Reinaldo Varela. “Ele era um piloto experiente, querido e respeitado, com mais de dez participações. Ele encarnava o espírito do Dakar. E era também competitivo – foi vice-campeão do Dakar em 2015 e campeão mundial de Rally Cross-Country de 2013. Foi uma perda terrível”, completa Varela. 

O piloto português foi a 29ª vítima em 42 anos de Dakar. A mais recente fatalidade havia sido a do piloto de moto canadense Michal Hernik, em 2015, na Argentina. Devido ao acidente de Gonçalves, a participação das motos quadriciclos na etapa desta segunda-feira foi cancelada em sinal de luto, em decisão conjunta dos competidores e organização.

A oitava etapa do Dakar 2020, que será disputada nesta segunda-feira, vai percorrer 713km no total, incluindo 474 km de especiais, na região de Wadi Al-Dawasir. O trecho incluirá cânions e montanhas, conjugando também trajetos feitos em alta velocidade. “Teremos uma reta de 40km de pé embaixo onde o navegador será praticamente um passageiro. Mas a diversão vai passar logo, por que piloto e navegador precisarão de concentração máxima em um trecho de dunas, perigoso e sempre cansativo”, avaliou o navegador Gustavo Gugelmin.

Assessoria de Imprensa

Rodolpho Siqueira